Agosto 4, 2008

Análises, price targets e afins

Quem já se iniciou em investimentos accionistas certamente que se deparou com opiniões, análises, price targets e outros conselhos de supostos especialistas. E quase certo é também que se interrogará sobre a validade dos mesmos - tal como eu.

Qualquer opinião de um especialista em mercados accionistas deve ter em conta não só a situação actual da empresa, do mercado onde a mesma se insere e do cenário macro-económico como também as perspectivas futuras. Outros factores como as capacidades da equipa de gestão são também essenciais. Não parece, de todo, um trabalho fácil.

Talvez por não ser um trabalho fácil muitos (e frequentes) são os casos de assumida invalidade das opiniões. Talvez porque não consideraram variáveis importantes, talvez porque erraram nas avaliações, talvez porque… A verdade é que falham, com grande frequência, apesar da falta de humildade na exposição das suas ideias.

Isto tudo para dizer-lhe, a si o investidor, que quando ler as mencionadas análises e opiniões deve ter uma atitude bastante céptica e certamente não as considerar como verdades absolutas.

Para quem pensa que estou a exagerar, basta relembrar o episódio da OPA do BCP ao BPI, bancos assessoradas por técnicos e entidades de alta reputação. Neste episódio, o BCP chegou a oferecer €7/acção do BPI (por considerarem que seria o valor justo) e os accionistas do BPI recusaram (por considerarem que o banco valia mais). A verdade é que hoje em dia as acções do BPI valem menos de €3 - que tal lhe parece isto?

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Julho 24, 2008

Fórum: indisponibilidade inesperada

Como parte de vós deve ter reparado, o fórum esteve indisponível durante a maior parte do dia de ontem. Venho portanto pedir-vos desculpa e informar que a operacionalidade está restaurada. O problema foi inesperado e de natureza técnica, tendo sido aparentemente corrigido.

Aproveito a oportunidade para agradecer a vossa contínua colaboração e os rápidos alertas recebidos sobre esta situação.

Desejo ainda que a vossa participação no fórum se mantenha elevada, interessada e relevante. O meu Muito Obrigado.

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Julho 23, 2008

Como aproveitar as promoções dos hipermercados

O artigo centra-se na melhor forma de aproveitar as promoções nos supermercados do Modelo/Continente que é, por norma, onde efectuo as compras do mês. Com as necessárias adaptações, serve para aplicar noutras superfícies comerciais, tais como o Ecomarché/Intermarché, por também utilizarem o cartão de fidelização do cliente.

Os passos

Primeiro de tudo, é preciso estar atento à publicidade referente às promoções que, nos casos atrás referidos, passam na televisão e nas rádios locais.

Em segundo, se a promoção for interessante, é necessário verificar se dispõe de dinheiro para fazer compras. Aqui o cartão de crédito pode dar jeito, se pagar a totalidade do extracto no final do mês, porque senão lá se vai grande parte da vantagem na promoção.

Em terceiro, ao efectuar as compras leve em mente que existem muitos produtos que no imediato podem não lhe fazer falta, mas dado que a promoção sobre esses produtos os tornam atraentes, são de uso constante e com prazos de validade alargados, é benéfico comprar bastantes [azeite (o Oliveira da Serra Reserva encontra-se algumas vezes com boas promoções), detergentes para a roupa, louça, chão, esfregões e tudo mais deste género].

Caso prático

Tomemos, como exemplo, a promoção do Modelo/Continente, com desconto de 75% em talão de desconto, (50% a descontar em Agosto e 25% em Setembro). Por norma, os bens considerados essenciais (e.g., arroz, massa e leite) nunca tem promoções deste género, pelo que a sua compra fica adiada (claro que se estiver mesmo a precisar, não vai passar fome), aproveitando para os comprar com os talões de desconto entretanto acumulados.

Efectuadas compras no valor €250,00 em produtos da promoção, fica com €125,00 para gastar em Agosto, nos tais produtos essenciais: leite, massas, arroz, conservas, grão, etc.
Se vir bem, nem é assim tão difícil: compre 50L de leite, 12Kg de arroz, uma caixa de óleo, outra de azeite, massas, grão, conservas (dão para desenrascar naqueles dias) e um bacalhau ou carne (armazenar na arca frigorifica) e vai ver que os €125,00 se gastam e sem ser em coisas fúteis.

No mês seguinte, quando se desconta os 25%, certamente que ainda não terá esgotado o stock de produtos essenciais. Mas o valor para gastar também já só é metade (€62,50), por isso há que reforçar o stock com alguns daqueles produtos que entretanto já foram consumidos (leite, por exemplo, já só haverá para aí uns 10L).

Dicas

Ao chegar a casa um cuidado a ter é armazenar os produtos pela ordem da data de validade (os mais recentes atrás). É normal que os produtos comprados no mês anterior estejam mais perto de terminarem a validade (nem que ainda tenham mais de um ano de validade há que ter este cuidado). Prático e eficiente.

Outra dica é aproveitar os vales de desconto conseguidos aquando dos abastecimentos de combustível na Galp. Se tiver, por exemplo, 3 e como não dão para descontar todos numa só compra, pode dividir a mesma em três (de valor superior a €15,00 - mínimo aceite pelo Modelo/Continente para descontar um talão). Como bónus consegue também obter mais talões de desconto a utilizar nos postos Galp. Como, por norma, 1 ou 2 chegam para o mês, pode dar os restantes aos seus amigos ou familiares que abasteçam nos postos Galp e que, de preferência, não efectuam compras no Modelo/Continente. Em troca, devolvem-lhe o talão de desconto para utilizar, de novo, em compras (é o mercado a funcionar – todos ganham).

Claro que tudo isto dá trabalho, mas a poupança dá gosto e sabe bem.

E existe outra vantagem em abastecer na Galp (por muito mal que se diga da Galp, penso que não existe Português algum que não a sinta como uma marca credível). Com a prática atrás referida aproveitam-se os € 0,05/L de desconto em combustível, que associado ao desconto de €0,05/L obtido através do abatimento de 200 pontos no cartão Fast Galp, totaliza um desconto global de €0,10/L, mais do que a generalidade conseguida nos postos de abastecimento dos hipers.

Autor: Hélder Silva

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Julho 16, 2008

3 incentivos para renegociar o seu spread

1. É fácil

Se tiver um spread alto (superior a 0,6 pontos percentuais) e uma condição profissional estável é muito fácil reduzir o seu spread.

Comece por ir falar directamente com o seu gestor de conta e diga-lhe que as suas condições não são competitivas e que com a crise que está instalada precisa que o banco lhe reduza o spread. Se ele não ceder, faça o pedido por escrito. Em último caso, ameace que vai trocar de banco: é quase certo que terá algum resultado.

Lembre-se, nos dias de hoje 0,35-0,4 de spread é o normal. Por isso aponte bem para baixo: 0,25.

2. É (vai ser) de borla

Alguns bancos cobravam um valor (não tão pequeno quanto isso) pela renegociação do crédito (ou mesmo só do spread), o que anulava grande parte das vantagens da dita renegociação. Felizmente foi aprovado um Decreto-Lei que proíbe os bancos de cobrarem comissões na renegociação dos créditos. Além disso, qualquer renegociação deixa de poder depender de exigências adicionais (como contratação de outros produtos bancários).

O DL ainda não foi promulgado pelo Presidente da República, mas acredito que brevemente entrará em vigor.

3. Pode poupar muito dinheiro

Este é o principal incentivo: poupar dinheiro. Quando reduz o spread, reduz o custo do crédito e reduz a respectiva prestação mensal. Podem ser umas poucas dezenas todos os meses, mas serão algumas centenas todos os anos e vários milhares no total do empréstimo.

A título de exemplo, num crédito de €150 000, a 30 anos, uma redução de 0,3 pontos percentuais pode originar poupanças anuais superiores a €300 e mais de €10 000 no total do empréstimo. Nada mau, hein?

4. (Bónus) Fica menos sensível à subida das taxas

Como a sua taxa global é mais baixa, fica menos sensível a futuras subidas da taxa de juro de referência (Euribor) - digamos que ganha uma almofada. Ou seja, se as taxas subirem o valor absoluto adicional que vai pagar é menor.

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Julho 14, 2008

Quanto ganho por amortizar?

Já sabemos que vale a pena amortizar antecipadamente o seu crédito habitação e no fórum esse é um tema recorrente. Mas na prática, quanto pode ganhar (ou poupar) por amortizar antecipadamente o seu crédito habitação?

Para ajudar a responder à resposta levantada, criei uma utilidade denominada Prestação após amortização antecipada, que lhe permite introduzir os dados do seu empréstimo e, ao mesmo tempo, ir colocando valores de amortização e ver de que forma isso se reflecte na sua prestação mensal. Útil, não?

No passado era possível obter esta informação recorrendo ao mapa de prestações ou à ferramenta para calcular a prestação da casa. Agora é mais fácil - aproveite.

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Julho 3, 2008

360 dias, sem excepções

Como já anunciado, entrou nestes dias em vigor o Decreto-Lei que fixa em 360 o número de dias a utilizar no cálculo das taxas de crédito à habitação e de depósitos. Demorou mas chegou.

As vantagens desta nova realidade são essencialmente uma maior transparência e uniformidade das práticas bancárias e uma possível pequena redução no valor das mensalidades. No blog e no fórum a questão dos 360 vs 365 dias é amplamente discutida e eu próprio já deixei a minha opinião, por várias vezes. Ainda assim, acho que é importante realçar o seguinte parágrafo do Decreto-Lei, que especifica de forma clara (e imparcial) as melhorias:

Com esta medida uniformizam-se os critérios de cálculo de juros dos depósitos com os critérios aplicáveis ao crédito à habitação, introduz-se maior transparência nas práticas bancárias de remuneração dos depósitos e facilita-se a comparabilidade entre as práticas de instituições concorrentes.

Possíveis perguntas frequentes

O que muda?

Se antigamente alguns bancos utilizavam 365 dias como base para o cálculo das taxas do crédito à habitação, agora são todos obrigados a usar 360 dias como base. O mesmo passa a acontecer com os depósitos.

Vou sentir alguma diferença?

Sim e não. É possível que sinta uma pequena redução caso o seu banco transite o método de cálculo de 365 para 360 dias, mas com a subida das taxas de juro é provável que a prestação aumente.

Quando entra em vigor?

Novos contratos: a partir de 30 de Junho de 2008; Contratos existentes: na próxima revisão de taxa ou renovação do depósito.

Qual é o Decreto-Lei?

DL 88/2008.

E onde posso mesmo consultar as médias mensais da Euribor?

Neste seu blog tem um artigo com as médias mensais da Euribor, actualizadas mensalmente.

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Julho 1, 2008

Educação Financeira

É frequente ouvir algumas pessoas referirem-se ao facto de não terem sido ensinadas a gerir as suas poupanças ou nem sequer saberem calcular juros. Para evitar que um dia ouçamos os nossos filhos a dizer o mesmo, devemos começar desde cedo a dar-lhes as devidas noções de poupança e gestão das finanças pessoais.

Alguns truques

  • Defina uma semanada para os gastos do dia-a-dia (mais fácil de controlar que uma mesada). Chegue a acordo com a criança sobre o valor (obrigue-a a ter noção de quanto gasta antes mesmo de ter dinheiro para gastar).
  • Tente não fazer o cálculo da semanada à justa. Deixe algum dinheiro para ir amealhando e explique para que serve o dinheiro extra (para a bicicleta, boneca, mealheiro, etc). Se a poupança for para o banco explique desde logo como se calculam os juros. Se não souber explicar leve o miúdo ao banco e apresente-lhe o gerente da conta como sendo o homem que lhe vai explicar como acrescentar dinheiro à poupança - felizmente a maioria das crianças, ao contrário de alguns pais, assim que se sente à vontade com alguém não tem vergonha de fazer as perguntas que forem precisas ;-)
  • O segredo está em começar

  • Estamos a chegar ao fim de um ano lectivo - no início do próximo, sugira ao director de turma que o projecto de turma seja sobre poupança, finanças ou custo de vida - é uma excelente oportunidade de trocar experiências com os outros miúdos.
  • Algumas escolas hoje em dia usam cartões recarregáveis nas transacções do bufete, papelaria… Habitue o seu filho a consultar o saldo do cartão regularmente e a saber quanto dinheiro tem, com que frequência o precisa de carregar, etc. Se o cartão for carregado a partir da conta bancária dos pais, não se esqueçam de o fazer na presença do filho (e de o descontar à semanada seguinte).
  • Não tenha medo de o levar às compras e ensine-lhe todos aqueles pequenos truques que foi aprendendo com o tempo: comparar os preços dos produtos antes de escolher, aproveitar as promoções, pensar se realmente precisa de comprar este ou aquele produto, etc.
  • Eduque-se para educar. Já experimentou fazer uma pesquisa no Google com os termos “poupar” e “filhos”, por exemplo? Descobrem-se montes de sites com dicas e informação muito pertinente. Crie o seu próprio método com base nas dicas dos outros.

Seguramente os leitores deste blog terão muitas outras sugestões. Venham elas.

Mesmo sem dinheiro

Para terminar, se o dinheiro não chega para uma semanada e o seu filho já sabe somar e subtrair, no início do mês chame-o pelo menos para ajudar a planear o orçamento familiar.

Numa folha de papel começa-se com X, gasta-se Y para pagar as contas fixas, é preciso Z para comida e outras despesas e vê-se o que sobra para distribuir por toda a gente lá em casa. No mínimo contribui para pararem os pedidos do tipo “Oh pai, compra-me isto” porque a criança fica com a noção precisa do dinheiro que a família (não) tem para gastar e começa a reparar nos preços antes de pedir; é um bom treino para Matemática; e obriga-o a si a fazer o planeamento do orçamento familiar, que era algo que já devia fazer de qualquer forma.

E talvez, quando der conta, seja o seu filho a dar-lhe conselhos sobre onde poupar para você lhe poder comprar a bicicleta ;-)

Autor: Paulo Aguiar

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Junho 24, 2008

Os bancos não mordem

Não sei bem porquê mas há amigos meus que vêm ter comigo a pedir-me para tirar dúvidas sobre as suas contas bancárias ou para aconselhar os melhores produtos financeiros. E digo “não sei porquê” porque na realidade não sou nenhum especialista em finanças :P

A verdade é que muitas pessoas (também não sei bem porquê) parece que têm medo dos bancos. E a verdade é que são justamente os bancos, as instituições que melhor lhes podem esclarecer essas dúvidas.

Falar com o banco

Hoje em dia, é tão fácil falar com o banco: por correio electrónico, preenchendo um formulário no site, telefone ou deslocando-se ao balcão, só não fala com o banco quem não quer. Os maiores bancos têm mesmo centros de atendimento especializados em tirar as dúvidas ou resolver os problemas dos clientes.

Há pelo menos 3 situações em que é recomendável entrar em contacto com o banco:

  • Pedir conselhos sobre onde melhor investir o dinheiro. Toda a gente conhece os depósitos a prazo. Mas será que há algo melhor que se adeque ao nosso perfil de investidor?
  • Pedir dinheiro emprestado. Os bancos praticam as taxas mais baratas (muito mais baratas do que as sociedades financeiras que se fartam de fazer publicidade na tv)
  • Quando estamos em dificuldades financeiras. Não espere até não conseguir pagar os empréstimos - assim que começar a sentir dificuldades vá ao seu banco. É do interesse de ambas as partes resolver o problema.

Conclusão

Claro que há sempre as habituais alternativas de perguntar aos amigos; ou deixar a dúvida no fórum. Aliás, às vezes convém na mesma usar essas fontes para confirmar os esclarecimentos prestados pelo banco. Mas a única garantia de obter uma resposta profissional e virada para o seu problema específico é mesmo perguntar a um banco. Naturalmente que, como em qualquer outro lado, pode ter o azar de apanhar um funcionário menos qualificado pela frente… insista - calmamente explique-lhe que não está a conseguir fazer passar a mensagem e peça para chamar outra pessoa ou recorra ao “truque” do livro de reclamações. Faça valer os seus direitos como cliente.

Afinal de contas, os bancos não mordem ;)

Autor: Paulo Aguiar

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Junho 20, 2008

A verdadeira comunidade

Quando comecei a escrever para o blog nunca imaginei a dimensão e impacto que o mesmo iria ter. Sempre pensei que pudesse ser útil, mas não tanto. Na realidade, quase diariamente recebo comentários e e-mails de pessoas que aprenderam qualquer coisa, que pouparam algo mais e que tratam melhor o seu dinheiro - é uma verdadeira satisfação.

O blog começou pela minha mão e esforço, mas com o passar do tempo tem vindo a criar uma verdadeira comunidade, que estimula o crescimento da cultura financeira. Veja-se o exemplo do fórum, que conta com mais de 240 membros e 1300 mensagens. É obra de todos.

Veja-se também o exemplo do Paulo Aguiar, que muito contribui para o crescimento do fórum e que nos tem presentado com excelentes artigos para o blog. Ou o José Catarino, que detectou uma falha no calendário de feriados e enviou uma versão melhorada. Também não me esqueço do hsfarao, da Pipocas e do D@vid, que tanto impulsionam o fórum. O meu (e o nosso, estou certo) obrigado a todos eles, e a muitos mais, é este espírito que cria uma verdadeira comunidade.

Já sabe: se quiser participar no fórum ou no blog, com comentários, conteúdos ou sugestões, esteja totalmente à vontade e conte com o meu apoio.

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Junho 18, 2008

Depósitos a prazo: valerá a pena?

Há umas semanas dei por mim a ouvir de alguns amigos expressões como “Só 13€ de juros? Nem vale a pena”.

Pois, parece não é? A verdade é que pedi ao meu amigo mais detalhes e os tais 13€ de juros eram de 4000€ investidos durante 30 dias e TANB de 5%. Ou seja, em apenas 1 mês, sem fazer quase nada, o meu amigo ganhou 13€. Como era “tão pouco” pedi-lhe que mos desse. Riu-se e percebeu que afinal até dava algum valor a “apenas” 13€. E depois de lhe ter dito para multiplicar por 12 meses, lá chegou à conclusão que ao fim do ano teria ganho 160€, que lhe dava para pagar as prendas de Natal que deu no ano passado aos filhos e mais algumas :D

A maior parte das pessoas não liga muito a ganhar “só uns trocos”, mas ninguém gosta de perder uns cêntimos que seja. E aí apercebi-me de um outro ponto de vista mais forte e ao mesmo tempo mais realista: investir o dinheiro não é uma forma de ganhar dinheiro - é uma forma de não o perder!

Suponhamos que há um ano eu tinha conseguido poupar os tais 4000€ e que decidi não os gastar para ter alguma segurança. Se deixei esse dinheiro na conta à ordem, ou numa gaveta lá de casa, hoje tenho exactamente 4000€. Como a inflação deste ano foi de 3%, o que há um ano eu conseguia comprar com 4000€, hoje precisaria de 4120€. Ou seja, por não querer gastar 15min a ir a um banco fazer um depósito a prazo, ou mesmo 5 min a fazê-lo pela net, perdi 120€ num ano! Se os tivesse investido a apenas 3% ao ano ainda teria hoje o mesmo poder de compra.

Portanto, mais importante do que o meu amigo ganhar 160€ ao fim do ano, é não ter perdido os tais 120€. E se ele não queria perder os 13€ que fez num mês para mim, imaginem como se sentiria por perder 120€.

Ou seja, de cada vez que adiam a decisão de meter “só aqueles 500€ extra” a render, estão a perder 4 cêntimos por dia, 15€ por ano. Se não vos parece muito, então mandem-mos para mim ;)

Autor: Paulo Aguiar

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